Tuga

Todo mundo sabe que uma das coisas legais pra se fazer quando se está fora do Brasil é pegar não-brasileiros - em teoria. Eu sabia disso, e fiquei meio frustrada com o fato de que, em menos de 48h com os pés em terras gringas, o primeiro cara que eu peguei foi um brasileiro.

Tudo que eu pensei no dia, no entanto, foi aos poucos sendo repensado. Primeiro, quem diabos mal chega em terra alheia e já vai arrumando um date assim, no segundo dia? Num lugar onde você é levada a mil cafés antes de ser beijada pela primeira vez, passar a noite na cama de alguém em tão pouco tempo foi uma façanha. Eu não sabia disso, claro. Depois, o brasileiro. Eu também não sabia disso, mas pegar brasileiro é muito mais gostoso, e acho que dificilmente alguém vai me convencer do contrário.

Eu cheguei na cidade e tava me sentindo muito sozinha, muito mesmo. Não conhecia ninguém, a cidade é povoada apenas por crianças (5%), homens casados (25%), esposas que odeiam brasileiras (25%) e velhas-dos-gatos (45%). Lembrei que no dia anterior conheci um brasileiro meio chato, mas eu não tinha nada pra fazer, era o único contato de alguém da minha idade e ele morava na cidade vizinha. Combinamos de nos encontrar lá, pra ver um jogo do campeonato europeu. A cidade estava em festa.

Ele foi bacana, comprou vinhos e queijos que ele gostava - todo mundo sabe como é fácil me conquistar com comida. Eu não levei nada; nem sabia onde comprar. Tentamos assistir o jogo no telão da praça, mas o vinho era muito mais legal que qualquer clima de copa do mundo. Eu fiquei muito bêbada, e consequentemente o sujeito começou a me parecer muito legal. Tudo que me lembro é que de repente eu estava no castelo beijando o brasileiro. A vista do mar era linda, o clima era perfeito, as pedras sob meus pés datavam do século 13, eu estava feliz e o beijo era muito bom. O cara não foi não foi ninguém especial pra mim, mas eu não consigo me lembrar de uma cena de beijo mais perfeita do que essa. Ok, talvez eu me lembre de umas outras duas ou três, mas essa com certeza faz parte das top 5.

A coisa tomou um rumo óbvio - descer pra praia. O passeio é bonito, a praia não é nenhuma Copacabana, mas é bem charmosa. O brasileiro, que não era carioca mas era bem malandro, conhecia a praia toda e, sem mais detalhes, ficamos um bom tempo deitados na areia, entre as pedras grandes. Foi tudo muito legal, tudo parecia cena de filme.

Depois disso eu não fiquei com nenhum outro brasileiro. Peguei uns outros caras e namorei um local, mas, na boa, nada se compara a ficar com alguém que compartilha da mesma bagagem cultural que você. A mesma língua, as mesmas gírias, os mesmos costumes safados... Parece bobo, mas é muito chato você querer fazer uma piada e saber que a pessoa não vai entender. Referências a Sílvio Santos só funcionam com brasileiros. Só alguém que nasceu aqui nos anos 80/90 sabe a importância que a Xuxa teve na nossa infância. Discussões sobre preferência por Toddy ou Nescau só fazem sentido com quem cresceu no mesmo mercado que você. É bobo? É. Mas faz falta num relacionamento. É chato namorar alguém com quem só se pode falar coisas sérias - ou ter que explicar o contexto de cada caso da sua vida: "porque no Brasil tem um negócio chamado pastel, mas não é isso que você acha que é, é outra coisa, blá blá blá explica o que é pastel, e o pastel do meu colégio era muito gostoso..." MUITO chato. E muito sem graça também.

Pra safadeza é até divertido pegar americanos, porque todo mundo sabe fazer dirty talk em inglês americano (e viva o tube8.com), dá pra fazer piadas e citar Friends e Big Bang Theory, e o dirty talk é bom e... Eu já falei do dirty talk? Mas experimente fazer isso em qualquer outra língua: não funciona. Você até sabe o que as palavras significam, mas é tudo muito, muito broxante. Digam o que quiserem, mas nada é melhor do que o bom e velho (e brasileiro) "gostosa". Senti muita saudade.

25 comentários:

  1. Exatamente! E, não sei quanto a você, mas eu acho o sotaque do português extremamente broxante. Parece que são todos gays... Ou já cansei... Sei lá...
    Beeeijo

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  2. Discutir preferência por Toddy e Nescau? Tem algo que discutir? Toddy muito melhor!

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  3. Assino concordando em cada linha!
    Beijocas e me divirto muito com seu blog

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  4. Primeiro: Bazinga! Eu sei, eu sei, foi gratuito e nem teve graça mas citou Big Bang e eu não resisti.

    Uau, foste mais rápida do que eu. Quando cheguei em terra gringa, demorei 4 dias para pegar alguém e adivinha? Foi uma brasileira. Tenho que concordar completamente com seu post, menos a parte sobre americanos, acho que nem tube8.com salva. Talvez você tenha tido mais sorte do que eu neste aspecto. E dirty talk por dirty talk, hoje em dia todo mundo entende inglês. Mas o background cultural, a cumplicidade safada... Faz diferença. E outra coisa, mulher brasileira sabe apertar a bunda de homem com vontade, européia até tenta mas não chega lá. Apesar do meu crescente respeito e tara por Polonesas. Estava conversando com um amigo que mora em Berlin. Outro dia ele me disse que começou a sair com uma brasileira depois de namorar bastante tempo com uma alemã. Segundo ele, o background cultural comum fez mais diferença do que ele imaginava.

    P.S.: Estes seus posts com toques Tugas estão agravando a minha já complicada saudade de Lix.

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  5. Eu já morei fora, mas aqui na volta do Brasil... tive uns colombianos, uns bolivianos, venezuelanos, uruguaios e até um irlandês que morava aqui... os bolivianos são melhores que os brasileiros em muitos aspectos e não me importaria de juntar escovas de dentes com um... beijão

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  6. Tô começando a gostar desse blog... Uma delicia esse post!

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  7. eu tb morei mto tempo fora, nos EUA, fiz colégio, facul, e tudo lá - fiquei com brasileiros, americanos, a alguns européus no meio da bagunça tb e posso dizer que não tem nem comparação... a pegada do brasileiro é mto gostosa, mas os americanos são mais carinhosos... o melhor foi esses dias que peguei um brasileiro, carioca aqui em SP que morou mto tempo nos EUA tb - foi o melhor de todos os mundos!!! dirty talk and all ;-)

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  8. O Besouro AzulApr 19, 2010 05:29 PM

    Eu sei imitar o sotaque português muito bem.

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  9. Puxa, é mesmo complicado adaptar-se à nova cultura e costumes tão diferentes do nosso.

    Adorei a parte : "mas nada é melhor do que o bom e velho (e brasileiro) "gostosa".

    Isso é bem verdade...
    Como já dizia Alcione em versos folgosos:
    "Moleque levado
    Sabor de pecado
    Menino danado
    Fiquei balançada
    Confesso
    Quase perco a fala
    Com seu jeito
    De me cortejar
    Que nem mestre-sala..."

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  10. Caramba adorei o texto, muito bom e assim como as meninas a cima concordo com vc bjs

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  11. As gringas que eu peguei na Inglaterra não faziam direito não.

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  12. Brasileira pegar gringo e coisa tao facil, mesmo pq o esteriotipo, ja anda metade do caminho
    Agora brasileiro pegar gringa em sua terra natal ja exige um pouco mais de mao de obra

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  13. Mande mais dicas de sites de filmes de sacanagem... Gostei muito do Tube8!

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  14. você devia postar mais... Ou será que não está mais dando pra idiotas?

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  15. Não estou mais dando pra idiotas.

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  16. ou vc descobriu que o cara nao é idiota.. ou trocou de cara!
    Qual delas? ehehe ;P

    bjos! =**

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  17. Vai ver antes isso do que não pegar ninguém, embora eu não faça a menor idéia de como era esse brasileiro.

    Pensamento positivo (frase de cereal)!

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  18. Ri muito...
    Vou estar aqui e acompanhar tudo de perto !!
    Bjoo !!

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  19. Gostei do seu comentário " Todo mundo sabe que uma das coisas legais pra se fazer quando se está fora do Brasil é pegar não-brasileiros - em teoria " reflete o meu pensamento, parece que o que está lá fora "seria" melhor, mas a cada dia q passar tenho certeza q o melhor esta aqui... vivam os brasileiros...Parabéns pelo blog.

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  20. Besteira... quanto mais diversidade melhor. Já tive experiências com americanas, japonesas, uma chinesa, uma francesa, alemãs, canadenses...Cada uma, uma pessoa diferente. Bagagens diferentes. Estórias e histórias diferentes para contar.

    Quanto as referências de infância, as minhas são muito diferentes da maior partes das pessoas aqui, mesmo eu tendo vivido até minha adolescência em Brasil. Não assistia TV. Se eu não estava brincando ao ar livre, estava lendo ou cozinhando (cozinho desde os 9 anos)

    E quanto a Toddy ou Nescau, não gosto (nem gostava) de nenhum dos dois. Sou Ovomaltine desde pequeno.

    Ps. Tá bom... assistia um pouco de TV. Mas não era Xuxa, e sim, Ra-Tim-Bum. E quanto a Sílvio Santos, meu pai fazia de tudo para que eu não ficasse dentro de casa no domingo. Acho que por isso que nunca achei as imitações que os humoristas fazem dele interessante.

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  21. Ok. Depois de menos de uma semana, completei a leitura completa do seu blog. Sim, comecei do começo. Muito bom, viu? Entrei como seguidora, mas só estou comentando nesse post, pq... sim. haha! Moro no Canadá e tenho um conceito bem formado sobre o assunto desse texto. Concordo e discordo um pouco, mas detalhes não vêm ao caso pq afinal, isso é um comentário de blog. Gostaria de falar com vc por MSN um dia e que vc entrasse no meu blog pra ver se gosta. Estarei sempre por aqui.

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  22. eu prefito é o africano...aquel negro com traços de branco..enorme....aff...demais!
    kkkkk

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  23. passei um tempo em moçambique, 7 meses p ser exato, em 2007...experiência profissional...lá chegando os caras da empresa foram logo avisando: 'elas adoram os brasileiros!'...blz, vamos lá, pensei...
    eu tava numa fase de botar p gerar mesmo...sorrindo e n cheirando mal a coisa andava...
    mas aí conheci uma norueguesa, marthe, estudante da eduardo mondlane, uma facul conceituada q tem por lá...então a farra foi cancelada. mesmo eu afim de sair pegando...dei exclusividade p a branquinha...
    fiquei jantando comida nórdica até minha volta...
    foi ótimo. trocamos mail's até hj...inteligente, sensível, doce...
    mas, no final, concordo com vc: o tempero brasileiro é inigualável.

    adonis.aml@gmail.com

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