A saga do sabonete
Tudo começou em 2001. Meu primeiro trabalho, meu primeiro ano com dinheiro próprio, e tudo que eu queria era ter as coisas que eram moda entre as meninas da minha cidade. Geralmente eu queria as coisas que eram moda entre as meninas alternativas, mas esse era um desejo da cidade inteira: a Melissa Bubble II.
Do outro lado do mundo
Quando você fala que vai viajar nas férias pra, sei lá, Paris ou Nova Iorque, ninguém te pergunta o porquê. Ok, é possível que a imigração te pergunte quando você desembarcar, mas aí é só formalidade. Ninguém realmente manda um “Sério?! Por quê???” quando você comunica que tá indo pra, sei lá, Amsterdão (adoro os nomes portugueses pros lugares). Mas quando o seu destino é o Japão, prepare-se para dar satisfação para todas as pessoas incrédulas, inclusive para o consulado japonês. Aparentemente eles só recebem pedidos de visto de imigrantes e descendentes japoneses, porque, olha, fui alvo de curiosidade de todos os funcionários do lugar. “Nossa, mas você vai SÓ PRA PASSEAR? Por quê?!” Mas POR QUE NÃO, minha gente?
Celular novo
Até outro dia, eu não ligava muito pra esse negócio de celular. Eu gosto de tecnologia, acompanho os lançamentos e os eventos, conheço vários modelos modernetes, mas nunca quis gastar meu dinheiro com um deles. Houve um tempo em que eu trabalhava a 10 minutos a pé de casa e a rede da firma tinha as pernas abertas pra tudo, inclusive pra torrents. Então eu passava só 20 minutos por dia desconectada. Nunca senti falta de internet no ônibus ou no avião, porque esses eram meus momentos de leitura em livros de papel. E quando você sai com seus amigos, não deve ficar olhando Facebook no celular, assim manda a educação que minha mãe me deu.
Nippon
Algumas coisas na nossa vida são certas, e todo seu conhecimento é construído em cima dessa meia dúzia de axiomas. Por exemplo, o céu fica "pra cima", dois pontos definem uma reta, o todo é maior que a parte, e por aí vai. Quando você descobre que uma dessas "verdades" não se aplica a uma situação que você está vivendo, dá uma sensação bizarríssima de estar flutuando nos conhecimentos do mundo, sem nada em que se apoiar para concluir logicamente outras coisas. Por duas vezes eu tive essa sensação de nó no cérebro.
Meu chefe no Rio
Meu chefe é um cara sério. Cara sempre fechada, sempre ocupado, sem paciência, sabe como é? Ele não é chato, nem mal educado, mas é um sujeito fechadão. Até outro dia, eu nem sabia se ele era casado ou não - não que isso faça diferença, mas a gente costuma saber das coisas básicas da vida das pessoas que vê todo dia.
Nao existe amor em SP #1
Eu tenho uma relação de amor e ódio com São Paulo. As possibilidades da cidade me encantam. Por exemplo, há pouco tempo descobri que existem aulas de balé clássico para adultos iniciantes aqui na Vila Madalena. Já coloquei na minha lista mental de to-do e superar toda uma frustração infantil de nunca ter feito aulinhas de balé. Outra coisa linda de estar em São Paulo é se sentir parte das tendências. É aquela coisa do "é aqui e é agora". Os eventos – profissionais e culturais –, as oportunidades, as novidades, o estado-da-arte... Grande parte disso no Brasil está em São Paulo. E a grande vantagem de passar uma temporada da vida aqui, que a pra mim é a maior, é a experiência profissional.
Metas de ano novo
Em 2004, no meu primeiro semestre de faculdade, o coordenador do curso fez uma apresentação sobre o que nos esperaria nos próximos 5 anos e todas as mesmas coisas que todo mundo que estudou engenharia ouviu. Além disso, ele disse uma coisa que eu nunca mais esqueci: “Não deixem as águas do curso levarem vocês.” O aviso pareceu besta na época, afinal era óbvio que eu estava na universidade também para ir aos festivais de cinema da Escola de Belas-Artes, assistir às apresentações da Escola de Música, ir nas vinhadas da Faculdade de Letras, e essas coisas todas. E óbvio que isso tudo não durou nem um semestre.
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