Amanhã tem despedida?

Olha aqui, meu caro. Eu tenho uma bola vermelha no nariz? Eu ando por aí com roupa de bolinhas e perucas escandalosas? Que eu me lembre, não. Então, seu idiota, eu agradeceria imensamente se você parasse de me fazer de palhaça!

Agora é sério. Veja só, eu não sou do tipo de fazer cobranças. Eu não tenho nada contra sexo casual. Eu até viajo fucking 600 km to make that happen. Eu nunca fui de ficar sonhando em casar e ter dois filhos rechonchudos com nenhum dos caras que eu pego por aí. Não faço ninguém pagar jantar caro pra ficar comigo - mas se quiser me oferecer um, nada contra, adoro comer bem. Aliás, nem conta de motel eu gosto de deixar o cara pagar sozinho, porque não quero ter a sensação de dever nada pra ninguém. Tenho lá minhas crises de sarcasmo e mau humor, mas definitivamente não sou a pessoa mais desinteressante no universo. E nunca nunca nunca coloquei ninguém na parede pra pagar de namoradinho comigo. Mas tem uma coisa: não me faz de palhaça. Eu só cobro honestidade, porque eu não falo "foi bom" pra ninguém que realmente não tenha sido bom.

Por isso tudo não existe coisa que eu mais odeie nesta vida do que homem que fica de joguinho. Que paga de bom moço, manda um milhão de SMSs por dia, liga pra dar boa noite, manda emails, dá atenção, diz que tá tudo bom demais e simplesmente SOME DO NADA. Puf. Assim, vira fumaça. Já reclamei disso aqui antes, mas eles continuam com essa mania.

E-U J-Á F-A-L-E-I que pode (deve!) ser honesto comigo. Já falei que não cobro nada de ninguém. Já falei que ninguém me deve nada. Então porque não ser legal e emocionalmente maduro uma vez na vida e dizer "olha, você é muito legal, mas eu ainda amo minha ex e quero voltar pra ela"? Só pra evitar sofrimento. Só pra evitar confusão. Só pra evitar me deixar puta. Porque se você me deixa puta, meu bem, já era. É assim que funciona. Daqui uns meses você pode querer me ligar e dizer que eu sou a pessoa mais legal que você já conheceu na vida, e que me quer de novo. Mas aí já era. Eu fiquei puta da outra vez, isso é prova o bastante de que o cara é um babaca da pior espécie. E, olha, pra me deixar puta com esses casinhos sexuais tem que ser MUITO filho-da-puta, porque eu sou a Senhora Compreensão. Senhora Compreensão, mas não subestime minha inteligência, porque eu sei somar dois-mais-dois e flagrar desculpas esfarrapadas.

Vamo combinar assim, então - combinação pra próxima vida, claro, porque nesta você já perdeu tanto ponto que o porteiro do meu prédio deve estar melhor no ranking: quando você quiser ficar comigo, você manda SMSs e dá atenção. Quando você não quer ficar comigo, você ME INFORMA DESSA DECISÃO, pra eu não precisar ficar bancando a abandonada. E se você quiser me ligar do nada e dormir comigo na minha cama sem compromissos com emails no dia seguinte, como você vai fazer amanhã, É SÓ COMBINAR E SER HONESTO. Como eu sempre digo, o combinado não é caro.

É muito fácil, tente em casa você também. Idiota.

Exemplos práticos

Uma das coisas que mais me perguntam nos comentários aqui é "defina idiota". Perguntam isso de vários jeitos, mas o sentido é esse. E eu já falei que não consigo, mas pensei em dois exemplos práticos que aconteceram por esses dias que talvez sejam úteis.

Sujeito 1:

Divertido, inteligentíííííssimo, esperto (porque quem é inteligente não necessariamente é esperto), com sacadas ótimas, muito educado e... engenheiro. E gato! Tipo, "wow, isn't it?". Pois é, eu também achei. Daí, boteco vai, boteco vem, rola o seguinte diálogo:
- Ah, mas eu e meus amigos não namoramos uma mulher que dá antes de ser pedida em namoro.
- Por que não?!
- Porque ela deve fazer isso com mais gente.
- E daí?!
- Pô, e daí que... Pô...
- E daí que você e seus amigos são idiotas.
Eu sei, vão aparecer 64489187 comentários me xingando e defendendo o cara. Na verdade, eu tenho uma meia dúzia de argumentos pra justificar porque eu acho que caras que falam isso são idiotas, mas tou numa lanhouse, tou com preguiça, deixa pra outro post. Vamos ao segundo caso.

Sujeito 2:

Tentando ser simpático num ambiente profissional. Sotaque acentuado. Isso me irrita.
- Faz calor aqui, não faz?
- É.
- Tá difícil até de dormir.
- Pois é.
- Tá assando pão?
- Que?!
- Tá assando pão aí? Você tá desenhando uma casinha com fumaça na chaminé.
- Ah. [sorriso amarelo]
- Ontem no hotel eu vi que você tem umas tatuagens. O que elas significam?
- Nada.
Tip: NUNCA me pergunte o que as tatuagens significam, porque elas não significam NADA. Tatuagem pra mim é estético, e ponto final. Não venha caçar chifre em cabeça de cavalo e depois ainda me chamar de antipática. O problema está na sua pergunta, seu idiota.

Mas enfim, o que eu queria dizer é que o sujeito 1 é um idiota pegável. Bem pegável, a propósito. É idiota, é machista, vai acabar casando e traindo a mulher, mas poxa, é gato, é legal, é excelente companhia, e isso não se arruma facilmente por aí. Já o sujeito 2 é idiota não-pegável. Provavelmente ele escreve no MSN com emoticons ridículos e fala gírias ridículas e responde a qualquer discussão com argumentos lugar-comum... Enfim, vocês entenderam.

O negócio é que eu pegaria o 1, mas não pegaria o 2, muito embora ambos sejam idiotas. São tipos diferentes de idiota, e é desse tipo #2 que eu quero me livrar em 2009. Tudo bem que já comecei beijando um desses na virada, mas não necessariamente tem que ser assim o resto do ano, né? Estou trabalhando fortemente pra isso.

Oh, Minas

Depois de algumas semanas de bloqueio criativo, acordei inspirada hoje. Por que será?

Não foi exatamente uma discussão - até porque eu não estava em condições de discutir nada -, mas ontem fizeram um comentário que me fez pensar: mineiro não tem pegada. Será? Acho que quase nenhum frequentador aqui do blog sabe, mas eu sou mineira. E daí que eu claramente me acho tecnicamente competente o bastante para julgar o desempenho sociossexual dos meus conterrâneos.

Quem conhece Minas sabe que como é o esquema aqui: muita mulher. E muita mulher bonita. Ok, tem muito lugar do Brasil que também tem mulher bonita, mas duvido que em algum lugar elas deem tanta sopa quanto dão aqui. O negócio é que, aqui, pra cada dez mulheres lindas e interessantes, existem nove sujeitos manés e um único cara legal. Notez bien: LEGAL. Nem vou falar bonito. Contentemo-nos com o "legal". Então, meu amigo, se você tem alguma mínima noção de como o mundo funciona, já dá pra imaginar o resultado disso: muita oferta de mulher.

Muita oferta de mulher significa que os homens não precisam fazer muita coisa pra conseguirem uma fodazinha de vez em quando. E o que vemos por aí são mulheres interessantíssimas namorando os maiores zé-manés da praça. Significa também que o namorado em questão também não precisa se preocupar em "dar assistência", nem em fazer reciclagem nas suas técnicas fodísticas, afinal de contas a mulher não vai encontrar nada melhor por aí mesmo. Daí ficam todos acomodados, sem ter lá uma grande pegada, sem ter lá um grande papo, sem ter lá muito poder de convencimento. Não precisa

É a minha teoria. E já foi empiricamente comprovada por mim. Ou isso, ou eu tive imensa sorte, porque - preciso desabafar - PUTA QUE PARIU!!! T-O-D-O não-mineiro que eu pego tem a melhor pegada do universo. Frequência de ocorrência de mineiros no meu "top 10 melhores pegadas de todos os tempos": 20%. Frequência de mineiros na "lista de caras que eu já peguei de todos os tempos": 80%. Desculpem, meninos, mas eu duvido que isso seja coincidência.

Me dá meia hora de conversa e eu te digo se você tem pegada ou não. Eu não aposto fichas em cavalo perdedor, eu sei quem é bom só de conversar. Só de reparar no jeito. Só de perceber como olha. Claro que existem os que me surpreendem, mas não consigo me lembrar de nenhum caso de decepção. O índice de acerto é mesmo alto, felizmente. O problema é que raramente aparecem uns assim, que eu penso "caralho, eu tenho que pegar esse cara!".

Mas deixa isso pra lá, que o carnaval tá chegando. E vivam os cariocas e suas melhores pegadas de todos os tempos. Preciso desabafar de novo: PUTA QUE PARIU!!! =) =) =)

Virgin again

Pronto, vamos desvirginar o blog de novo. Casa nova, [cof] layout [cof] novo, ano novo e regras ortogáficas novas. Eu gosto de mudanças. E sou bastante adaptável a elas. Se o blog voltou, eu não sei. Fato é que eu não devo escrever mais com tanta frequência.

Amanhã eu viajo, fico fora durante um mês. Minha mala grande já tá cheia e desconfio que os sapatos não caberão lá. Mas, como eu já disse, eu gosto de mudanças. Gosto de chegar em lugares novos, com gente nova. Sou um bocado cara-de-pau e consigo me virar bem, mesmo que o lugar em questão seja uma cidade interiorana e quente como o inferno. Um bom restaurante, uma boa lanhouse e uma boa manicure é tudo que eu preciso. Mas antes de viajar, resolvi reabrir o barraco aqui e contar pra vocês sobre uma coisa que eu passei os últimos dias pensando.

Eu ganhei um livro muito bom sobre relacionamentos entre homens e mulheres (sim, é um livro bem hetero) que me fez pensar sobre porque um monte de coisa é como é, principalmente porque os homens são idiotas como são. Além disso, foi legal ver ideias que eu já tinha desde antes organizadas e justificadas por alguém que tem autoridade pra isso. Porque eu não tenho autoridade pra falar que as coisas são assim e pronto, até porque sempre acabo me contradizendo. Mas agora já posso citar o livro que citou não-sei-quem.

E aí que esse livro diz que a gente tem um padrão das pessoas pelas quais vamos nos apaixonar. Quando a gente se apaixona por alguém, é porque esse fulano tem lá umas características que batem com o que a gente, inconscientemente, quer. Ok, algumas coisas são conscientes, mas a maioria não é. Por isso aquela coisa do "Fulano é tudo que eu sempre quis, mas tem alguma coisa no Beltrano, que é um filho da puta, que me faz querer ficar é com ele". Ou o famoso "o que ela tem que eu não tenho, afinal?!". Esse padrão começa a ser formado ainda na infância, em torno dos 7 ou 8 anos, e é consolidado na adolescência. Ou seja, a merda já tá feita, meus caros. 

É um modelo óbvio e simples, mas eu nunca tinha organizado essas ideias direito. Imagina uma forminha, daquelas que a gente usava pra fazer coisinhas de gesso. Esse é o padrão. Agora imagina o Fulano como uma massa de modelar. O que a gente faz é pegar o sujeito, que já é mais ou menos do formato da forma, e forçar pra caber lá. Só que inevitavelmente vai sobrar - ou faltar - alguma massinha, fato este que é ignorado porque estamos desesperados demais pra conseguir fazer com que alguém caiba na forminha. E quando você percebe que a coisa não é tão certinha como deveria, a paixão acaba. Pronto. Simples assim. 

Ah, outra coisa. A gente só consegue perceber se tá faltando ou sobrando massa se há intenso contato - físico, inclusive. É por isso que o amor romântico dura. E é por isso que tem gente por aí defendendo virgindade antes do casamento, com o argumento de que, se rolar sexo antes, um vai "enjoar" do outro antes do tempo. Ou melhor, segundo essas pessoas, o homem vai enjoar da mulher. Ainda justificam isso dizendo que homem só quer sexo mesmo, e que quando consegue, sai fora. Eu discordo fortemente dessa teoria. O cara vai enjoar é porque a mulher não cabe no padrão dele - e vice versa! -, não porque ele "já teve o que queria". O negócio é que eles só vão descobrir isso depois da convivência sexual e não-sexual. Paciência, c'est la vie.

Dito isso, eu passei os últimos dias pensando em qual seria o meu padrão. Tenho consciência de algums coisas, mas a maioria é mesmo inexplicável. E pra tentar descobrir, só tentando lembrar dos caras que eu gostei e fazer uma interseção. O que eles tinham em comum?

Não consegui pensar em muita coisa, mas percebi que todos eram muito irônicos. E ironia era uma coisa pela qual eu vivia brigando com meu ex-namorado, dizendo que não gostava. Vai entender. Também sempre gostei dos caras que têm sacadas legais e que me fazem rir. E, contraditoriamente, gosto de homens sérios, com pose séria. Os que ficam rindo demais pra tudo e pra todos não me atraem, parecem crianças bobas.

Coisa consciente que me broxa: analfabetismo digital. Em todos os sentidos. Caberia aqui uma lista sobre isso, mas deixa pra lá. Eu sei, eu sou chata. Foda-se. Mas esse negócio de IMs é muito sério. Já deixei de sair com caras que só escrevem em internetês ou com letras mAiuScuLAaas e mInUUsculaAAsSS e rEpeTiiiDDas. Ou letras muito coloridas. Ou muitos emoticons. Isso é MUITO broxante, muito mesmo. Tem gente que não liga, mas de alguma forma meu cérebro faz uma ligação entre o jeito de escrever no MSN e a personaliade idiota do cara, e eu simplesmente não consigo sentir tesão por essas pessoas depois de conversar com elas pela internet.

Sinto muito.

Este post foi escrito ao som de algumas músicas da ótima trilha sonora de Gossip Girl. As favoritas do dia são:
OneRepublic - Apologize
Peter Bjorn & John - Young folks
Sean Kingston - Beautiful girls
Eve - Tambourine
Bonobo - Recurring
Kreesha Turner - Bounce with me
Cold War Kids - Hang me up to dry

Sexy Argentinian

Voltei aqui pra contar a estória do argentino gato, já que algumas pessoas perguntaram (mentira, vou contar porque eu quero deixar registrado; gosto de ler meus posts anos depois).



Nao existe amor em SP #1


Eu tenho uma relação de amor e ódio com São Paulo. As possibilidades da cidade me encantam. Por exemplo, há pouco tempo descobri que existem aulas de balé clássico para adultos iniciantes aqui na Vila Madalena. Já coloquei na minha lista mental de to-do e superar toda uma frustração infantil de nunca ter feito aulinhas de balé. Outra coisa linda de estar em São Paulo é se sentir parte das tendências. É aquela coisa do "é aqui e é agora". Os eventos – profissionais e culturais –, as oportunidades, as novidades, o estado-da-arte... Grande parte disso no Brasil está em São Paulo. E a grande vantagem de passar uma temporada da vida aqui, que a pra mim é a maior, é a experiência profissional.